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História das traduções bíblicas, NVT e a “tradição das traduções”

História das traduções bíblicas, NVT e a “tradição das traduções”
novembro 7, 2018 leandro

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Histórias das traduções bíblicas

“Nenhum homem é uma ilha”, escreveu o poeta inglês John Donne. Quem sabe poderíamos parafraseá-lo e dizer: “Nenhuma tradução bíblica é uma ilha”, isto é, nenhuma nova versão das Escrituras Sagradas é um texto isolado e autossuficiente, por mais bem realizado que seja o produto final.

É o caso, por exemplo, da Nova Versão Transformadora (NVT). Embora os tradutores tenham partido das línguas originais — não sendo, portanto, uma atualização ou revisão de um texto já existente em língua portuguesa —, o diálogo com as demais versões se mostrou necessário durante todo o projeto.

Isso acontece porque o trabalho de tradução da Bíblia é um esforço contínuo. Os muitos tradutores e especialistas em hebraico, grego e aramaico ao longo dos séculos ajudaram a revelar novas perspectivas sobre o texto, até então ocultas e/ou inacessíveis para suas gerações.

Além disso, o bom senso nos diz que, quanto menor a distância entre uma tradução e o texto original, mais próximos estaremos do conteúdo intencionado pelo autor. Ainda que isso nem sempre seja verdadeiro, é natural presumir que os primeiros tradutores contavam com recursos linguísticos e culturais para entender as especificidades da época dos quais não dispomos hoje.

Assim, cada nova tradução inevitavelmente busca inserir-se nessa valorosa tradição. No trabalho da NVT, muitas vezes foram as versões antigas que ajudaram os tradutores a encontrar o significado de passagens mais obscuras. É uma fonte riquíssima, e seria negligência desconsiderá-la.

Mas, afinal, o que vem a ser essa “tradição de traduções”? Onde e quando ela se inicia? Qual a sua importância para a propagação do Texto Sagrado? É o que procuraremos responder a seguir.

 

“Não seria absurdo dizer que a própria redação original das Escrituras foi um trabalho de tradução.”

 

Originais e traduções

Não seria absurdo dizer que a própria redação original das Escrituras foi um trabalho de tradução. Trata-se, afinal, da revelação divina à humanidade, e o conteúdo precisava ser expresso numa linguagem acessível aos leitores do mundo antigo. Se escritos hoje, possivelmente os textos teriam características e estilos bem diversos. Mas isso é apenas especulação.

O que sabemos é que a redação e a compilação dos escritos originais das Escrituras hebraicas — o material conhecido hoje por Antigo Testamento — se deu em torno de mil anos, de 1.500 a.C a 450 a.C. De modo geral, é justamente o período abrangido nas histórias do povo de Israel, desde o êxodo no Egito até o retorno do cativeiro babilônio.

Foi o período no cativeiro, aliás, que tornou necessários os primeiros esforços de tradução. Uma vez que a maioria do povo falava apenas o aramaico, foram produzidas traduções, paráfrases e comentários da Torá — os cinco primeiros livros do Antigo Testamento — que tinham como objetivo explicar o texto a seus leitores. O conjunto desse material ficou conhecido como Targum, do termo aramaico para “interpretação”.

Mas a primeira tradução de fato do Antigo Testamento é a versão para o grego conhecida como Septuaginta, traduzida em Alexandria durante os séculos 3 e 2 a.C. Segundo a tradição, o trabalho foi encomendado a 72 sábios judeus pelo rei do Egito Ptolomeu II, que planejava incluir a tradução na famosa Biblioteca de Alexandria. Por isso o nome Septuaginta, “setenta” em latim.

Não é fácil estimar a importância da Septuaginta. Para começo de conversa, foi a versão predominantemente usada pelos judeus na época de Jesus Cristo. (Dito de outro modo, os próprios autores bíblicos do Novo Testamento recorreram a uma tradução em seus escritos!) A existência de uma versão numa língua de alcance tão amplo como o grego certamente colaborou para disseminar o texto para além das fronteiras judaicas.

Ainda assim, quando a igreja primitiva começou a alcançar diferentes povos, surgiu a necessidade de novas traduções. Com isso, ao longo dos primeiros séculos da era cristã, porções da Bíblia Sagrada, já incluindo o Novo Testamento, apareceram em línguas diversas, como o siríaco, o copta e o etíope.

Tão relevante quanto foi a Septuaginta, em grego, é a tradução para a língua central do Império Romano, o latim. A conhecida versão Vulgata, produzida por Jerônimo entre os séculos 4 e 5 d.C., partiu diretamente dos originais e buscava disseminar o texto para o maior público possível. Conseguiu. A Vulgata tornou-se a Bíblia oficial da Igreja e a versão mais difundida no Ocidente.

Novas línguas, novas traduções

O poder centralizado na Igreja e a forte repressão durante a Idade Média não ensejaram o surgimento de novas traduções. Esforços como o do pioneiro inglês John Wycliffe, no século 14, que supervisionou a produção de versões bíblicas na língua de seu povo, eram desautorizados e censurados pela Igreja.

O cenário só mudaria com a Reforma Protestante. Auxiliadas pela invenção da imprensa, as versões bíblicas traduzidas pelos reformadores atingiam finalmente parcela significativa do povo, e isso na língua falada no dia a dia. Foram os casos, por exemplo, da Bíblia de Lutero (1522), que contribuiu inclusive para sedimentar o alemão como língua nacional, e da Bíblia do Rei Jaime (1611), ou King James, até hoje referência em língua inglesa.

Chegamos, então, à língua portuguesa. A primeira tradução mais ampla da Bíblia em nossa língua também resultou do trabalho de um pastor reformado. João Ferreira de Almeida (1628-1691), nascido em Torre de Tavares, Portugal, verteu para sua língua nativa todo o Novo Testamento e boa parte do Antigo Testamento — concluído posteriormente por um holandês chamado Jacobus op den Akker. A versão completa, porém, só viria a ser publicada décadas após sua morte.

No Brasil, as traduções mais populares entre os protestantes e evangélicos se baseiam no texto de Almeida, sobretudo aquelas publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Periodicamente, essas versões passam por processos de revisão, a fim de aprimorar questões estilísticas e evitar arcaísmos inerentes ao português do século 17.

Mais recentemente, vimos surgirem novas tentativas de traduzir o texto bíblico diretamente do original. Alguns destaques são a Nova Versão Internacional (NVI), a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) e a Nova Bíblia Viva (NBV). Embora com metodologias diferentes, todas elas têm em comum a preocupação em transmitir a mensagem bíblica numa linguagem acessível e ao mesmo tempo fiel aos originais.

 

“Auxiliadas pela invenção da imprensa, as versões bíblicas traduzidas pelos reformadores atingiam finalmente parcela significativa do povo, e isso na língua falada no dia a dia.”

 

Nos ombros dos gigantes

Esse é, portanto, um brevíssimo resumo do panorama de traduções bíblicas ao longo da história. É simplesmente impossível ignorar o dedicado e competente trabalho de tantos tradutores e estudiosos nesses séculos todos. Cada um deles trouxe consigo novas possibilidades de interpretação e aplicação da mensagem bíblica, o que nos suscita imensa gratidão.

Acreditamos, portanto, que a NVT surge na hora certa e no lugar certo. Ao referenciar o passado e fazer bom uso do presente, conseguirá avançar para o futuro, com uma dose equilibrada de respeito e ousadia. Nossa expectativa é que ela ajude a enriquecer a já valorosa “tradição de traduções” da Bíblia Sagrada, transformando vidas com a atemporal mensagem de Deus.

1 Comentário

  1. A WordPress Commenter 12 meses atrás

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